quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Nossa festa, Sua festa...BLOCO DA PIRANHAS





















Um vestidinho nada básico, uma maquiagem porpurinada e atitudes nada discretas. Assim são as "piranhas" do bloco de carnaval 'BOI DE PIRANHA"', que desfila pelas ruas da nossa cidade, O bloco conhecido, carinhosamente, como 'Bloco das Piranhas' mostrou o que há de mais feminino no universo masculino. Além dos trajes, a animação também fica por conta de todos os moradores participantes nesse dia"domingo de carnaval"Esse bloco teve seu início em 2005 com 5 membros-HELIO,JAIR,JACIO,DENILSON E RUBÃO, hoje conta com mais de 80 participantes da comunidade e outros das demais cidades.Nossa cidade fica em festa qndo elas passam.O Bloco das Piranhas é inteiramente público e gratuito. Para participar ninguém precisa pagar nada e sequer comprar a camisa do bloco. A ideia é que as pessoas usem fantasias animadas e brinquem o carnaval com muita paz e amor.Os foliões seguem o trio elétrico que passa pelas ruas da cidade.passando pela praça e se concentrando na mercearia do Vilmar(ponto de encontro).O ritmo contagia jovens, adultos e famílias inteiras, maioria moradores do bairro, que esperam todo o ano pelo bloco. Há quem venha, porém, de outras regiões para aproveitar a festa.esperamos voce também para nossa festa.abraçosss

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

natureza da aldeia...







Aqui,é um lugar onde temos orgulho de mostrar,a corredeira cujo o nome "lava pé"do Sr. Geraldo, que nos "lava a alma" que nos recebe tão bem,quando por la passamos para um dia de sol e um banho de rio do Ouro,e o rio galinhas também tem sua beleza a pouco metros daqui.Mas temos que cuidar da natureza.Cuide bem da natureza
Hoje acordei cedo, contemplei mais uma vez a natureza.
A chuva fina chegava de mansinho.
O encanto e aroma matinal traziam um ar de reflexão.
Enquanto isso, o meio ambiente pedia socorro.
Era o homem construindo e destruindo a sua casa.
Poluição, fome e desperdício deixam o mundo frágil e degradado.
Dias mais quentes aquecem o “planeta água”.
Tenha um instante com a paz e a harmonia.
Reflita e preserve para uma consciência coletiva.
Ainda há tempo, cuide bem da natureza.

Nossa festa, Sua festa...FIOFÓ DA ONÇA





















FIOFÓ E SEU CUMEÇU.....
... O que é o "Fiofó da Onça"?
É uma festa junina/julina/agostina bem de interior, sem muita extravagância, sem muita firula, sem ensaio.
O princípio que a gente segue: "Festa a gente faz junto", de todo mundo para todo mundo, de nós para nós mesmos.
Uma festa sem dono, nem organizador. Cada um que chega contribui com sua parte para a diversão, que é outro princípio básico.
O importante no FIOFÓ é que cada um (à sua maneira) e todo mundo se divirta. Ninguém precisa se vestir assim ou assado, ninguém precisa saber "dançar a quadrilha".

... Desde quando acontece este evento?
- O primeiro FIOFÓ aconteceu no final de julho de 2004 (anexei os cartazes/convites. O primeiro FIOFÓ saiu no tranco...)

... Quem são os idealizadores?
Não há idealizadores a serem nominados. Nasceu da vontade de um grupo (pequeno, no começo) de fazer uma festa junina na rua, da qual as pessoas de Olhos d'Água pudessem participar (efetivamente), uma festa comum cujo objetivo era ter o que comer, o que beber e muito para se divertir, sobretudo pelo prazer de estar junto.
... Quais as principais atrações do evento?
Acho que a principal atração do FIOFÓ é a característica de pracinha de interior, quando todo mundo do lugar já terminou a lida do dia, jogou uma água no corpo e saiu de casa para encontrar os amigos, trocar um dedo de prosa, jogar conversa fora e se divertir. Nesse meio tempo, sempre aparece algum violeiro, algum contador de causo, algum catireiro que, lá pras tantas, depois de canjica e pipoca regadas por uns "golinhos", se juntam e começam a ter vontade de dançar. E começa a "quadria".
... Como o evento interage com a comunidade?
Acredito que pela falta de organização (aparente) - sem a característica de festa organizada/evento, sem "dono" - as pessoas da comunidade se sentem mais à vontade, mais integradas ao que está acontecendo. Parece-me que nós todos nos sentimos, realmente, participantes (não meramente convidados). E todo mundo se diverte (à sua maneira, como já disse).
... Como o evento trabalha o lado Cultural ?
Quando a gente se junta para começar a organizar os trabalhos de montagem da festa (haja trabalho!!), a gente vai conversando e trocando idéias sobre quem (da comunidade de Olhos d'Água) poderia/gostaria/estaria disponível para dar uma palhinha: violeiros, cantadores, contadores de causo e outros que, com seus trabalhos, traduzam esse traço cultural de interior goiano.

Deixe um recadinho com seu e-mail e avisaremos datas de nossas festas.
intééé

memória de nossa aldeia

A Cidade de Olhos d’Água
Segundo a memória coletiva local, a comunidade surgiu de uma promessa
religiosa, feita por uma moradora da região, de construir uma capela em homenagem a Santo
Antônio de Pádua. Em torno da pequena igreja, fundada em 1941 em terras doadas por dois
cunhados fazendeiros, cresceu o povoado de Santo Antônio de Olhos d`Água.
As terras doadas foram repartidas pela igreja em pequenos lotes, que eram
vendidos a quem quisesse ali se estabelecer. O modelo de arquitetura das casas veio pelas
mãos dos mestres de construção de Corumbá de Goiás, que conservaram as mesmas
características das antigas casas da região, dando a impressão de ser Olhos d`Água mais
antiga do que aparenta. As matérias-primas utilizadas foram, basicamente, adobe, madeiras do
cerrado e telhas de barro, fabricadas pelos próprios habitantes.
Os homens trabalhavam como meeiros para os fazendeiros da região.
Plantavam
milho, feijão, arroz e mandioca e mantinham pequenas criações. Alem disso, produziam, para
seu uso, utensílios de barro, como panelas, potes e artigos de tecelagem.
Com o isolamento do povoado, a população criou um modo de vida próprio. Era
auto-suficiente em gêneros de primeira necessidade, fiava e tecia sua roupa e fazia seus
utensílios – gamelas, colheres de pau e cestas. O contato com outras comunidades se dava por
intermédio de viajantes e mascates, que traziam o que não se encontrava ali. Para conseguir o
sal, era preciso desbravar o sertão de Goiás e de Minas Gerais até o Triângulo Mineiro.
Nas longas viagens em carro de boi, os mascates escoavam o excedente da
produção e adquiriam algumas pequenas encomendas especiais para as famílias mais
abastadas, como sapatos ou algum corte de tecido fino.
AsAs Festas. Além da festa de Santo Antônio, com as tradicionais quermesses,
leilões, batizados, casamentos e a Folia de Reis, o principal evento religioso da região, desde a
sua fundação, é a Festa do Divino: comemoração de origem portuguesa e açoriana, que festeja
a vinda do Espírito Santo, cinqüenta dias depois da Páscoa, na Festa de Pentecostes.
No final do mês de maio e início de junho, os foliões percorrem as casas da região
pedindo pouso. Por sua vez, os moradores e seus vizinhos aguardam ansiosos a chegada do
alferes, que, acompanhado de um grupo de violeiros, caixeiros, sanfoneiros e foliões, conduz
de casa em casa a bandeira vermelha com a pomba branca, simbolizando o Divino Espirito
Santo.
Dessa festa também fazem parte a reza do terço, as cantorias religiosas, a dança
do chá e a dança da catira. A alegria é tanta que a confraternização pede comida farta, e é
distribuída em abundância para homenagear o Espírito Santo, fonte de amor e prosperidade.
A proximidade de Brasília e Goiânia estimulou boa parte da população a migrar
em busca de emprego, tendo essas cidades exercido forte influência na cultura local e alterado
hábitos e costumes.
O Artesanato e o Resgate. A mudança da capital para o interior do Brasil fez
com que Olhos d’Água perdesse a condição de sede do município. Então, a cidade entrou em
decadência. Como disse dona Joaquina de Paiva: “as pessoas estavam muito desanimadas,
sem estímulo, não faziam nada; era só roça”.
O artesanato que existia naquela época era aquele produzido pelos mais velhos,
que aprenderam quando crianças, segundo dona Clodilde (Bilu), uma das artesãs mais antigas
da cidade: “Naquele tempo do mundo velho que não tinha nem uma bonequinha nós tinha que
fazer bonequinha de pano, né? Eu aprendi fazer de bucha, palha e fui aprimorando”. Dona
Regina, uma das artesãs da cidade, também aprendeu a fazer boneca de pano quando criança,
para brincar.
Em Olhos d`Água, na década de 1970, dona Laís Aderne e o professor Armando
procuraram resgatar o artesanato local. Nas reuniões da escola, dona Laís descobriu que o
povo daquela comunidade antes produzia tudo de que necessitava; só trazia de fora o sal, que
buscava em Minas Gerais. Quando descobriu isso, ela se assustou e se perguntou: - “Como é
que esse povo está na miséria, passando por privações, sem dinheiro para comprar roupa,
comida e outros gêneros?’’ Nessa época, dona Laís teve seu primeiro contato com a
tecelagem. Ela viu a mãe de seu Armando tecendo e percebeu que tinha de resgatar com as
crianças esse trabalho. Para isso, propôs a primeira reunião com a comunidade.
Começaram, então, a procurar pelas pessoas que detinham esse conhecimento.
Essas pessoas foram localizadas, o conhecimento foi organizado e repassado para as pessoa
mais novas. Isso ocorreu com dona Clodilde, que repassou a arte de fazer bonecas de palha
para sua afilhada, Fatinha, hoje uma das artesãs mais conhecidas de Olhos d’Água.
A tecelagem foi passada de geração a geração e é um trabalho que envolve toda a
família no processo de plantar, colher e fiar o algodão. As crianças são introduzidas nesse
processo de aprendizagem dos saberes tradicionais como parte de suas brincadeiras, tanto no
descaroçamento, quanto na limpeza do algodão. O tingimento é feito com corantes naturais,
tirados de plantas nativas da região.
A primeira exposição ocorreu numa casa que hoje está em ruínas e se localiza em
frente à praça da cidade; a segunda, no salão paroquial de Olhos d`Água. Dona Laís entendeu
que o resgate do artesanato local ocorreria por meio da educação, pois os conhecimentos
seriam repassados dos mais velhos para os mais novos.
A Feira do Troca de Olhos d`Água. A Feira, criada na década de 1970, segundo
dona Laís Aderne, proporcionou o escoamento da produção artesanal. A cidade, em dois
períodos por ano, passou a ser “invadida” por milhares de turistas, que têm levado recursos à
população.
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A vida das pessoas da cidade é transformada, segundo dona Regina, “pois todo
mundo veste e bebe, com o dinheirinho do troca”. Como dona Durvalina, que hoje tem a
família trabalhando com ela e o marido deixou a profissão de pedreiro para se dedicar ao
artesanato.
Dona Laís Aderne, protagonista da criação da feira, teve a idéia quando foi
convidada pelo amigo Tomy Rodson para ajudar na orientação de um curso no Rio de Janeiro.
Nesse curso, ela teve contato com uma professora judia, moradora de Laranjeiras, que teve
uma experiência com crianças. Segundo ela, “as crianças não davam mais bola para seus
brinquedos”. Ela queria que as crianças se envolvessem com os brinquedos que ganhavam e
que, posteriormente, estragavam ou eram jogados fora. Então, ela criou um tipo de troca de
brinquedos, realizada uma vez ao mês, no térreo do prédio onde morava. Segundo ela, essa
troca passou a ser um sucesso, pois as crianças passaram a cuidar melhor dos seus
brinquedos, visando a troca, e tendo sempre um brinquedo novo. Assim, dona Laís teve a
idéia de fazer a “Feira da Gambira”. Imaginando que o povo não saberia o significado do
termo, ela mudou o nome para “Feira do Troca”.
Atualmente, a Feira do Troca é realizada no primeiro domingo de junho e no primeiro de dezembro. No primeiro domingo de junho porque, nesse período, começa o frio.
Como em julho acontece a festa de Santo Antônio, as pessoas certamente comprarm roupas
novas para a festa. A outra ocorre em dezembro, perto do Natal, quando as pessoas compram
presentes para dar aos filhos e também esperam ganhar algo de novo. Logo, a feira é realizada
de seis em seis meses, para dar tempo à comunidade de resgatar os fazeres culturais.
A feira do Troca de Olhos d`Água é realizada em uma praça gramada, cercada por
casas em estilo colonial; a praça possui um coreto de madeira. As ruas calçadas tornam-se
pequenas, porque abrigam, nesse período, milhares de turistas. A feira acontece sempre aos
domingos, mas as pessoas começam a chegar à cidade na sexta-feira. Muitos turistas
procuram um bom local para armar barracas, pois não podem ou não querem gastar com
hospedagem. Na sexta-feira, começam as festas, os shows, os forrós e muitos outros eventos.
No espaço da praça, são acomodados todos os tipos de mercadorias, desde os
produtos mais simples da roça aos importados, que são comercializados pelos camelôs. O
artesanato é o principal produto que a cidade oferece e representa o carro-chefe da feira. Na
Feira do Troca, encontramos artesanato de cerâmica, metal, pano, palha, pedra, etc.
Juntamente com produtos artesanais advindos da roça, notamos que são oferecidas
mercadorias usadas, que as pessoas levam para trocar. É importante ressaltar que essa feira
surgiu de pequenas trocas de roupas, panelas usadas, dentre outros utensílios.
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Laís Aderne, há um projeto para a construção de uma área de camping, pois, caso contrário,
os barraqueiros acabarão com a feira e com o sonho de várias pessoas que dependem dela
para sobreviver. Acampam na praça, tirando o espaço dos artesãos.
O movimento das pessoas na feira é muito diversificado, e nela verificamos a
presença de pessoas de diferentes classes sociais. Juntamente com o homem simples, advindo
da roça, dela participam pessoas com bom nível cultural e, principalmente, jovens.
Observamos, inclusive, a presença de pessoas que consumiam drogas livremente no local.
Mas, em geral, a procura é a mesma: a troca, a compra ou simplesmente o lazer.
A Feira do Troca de Olhos d`Água surgiu quando a população local passou a
trocar o artesanato local produzido na terra por produtos usados. Hoje, a feira trata de um
acontecimento de proteção e divulgação da cultura local; e, ainda, uma das principais formas
de lazer da população e, por isso, se transformou em atração turística. Nesse tipo de feira são
expostos o artesanato nativo e as comidas típicas, e apresentados o Boi d’Água e a Catira. O
Boi d’Água é uma versão do Bumba Meu Boi, encenação criada para ser apresentada no dia;
a Catira é uma dança, e o grupo que a interpreta é de uma cidade vizinha, Abadiânia.
Agradecimentos aos créditos:

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
INSTITUTO DE PRÉ-HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA

A primeira casa

A primeira casa construída em Olhos d’Água e seu atual morador, Claudiano Alves Rabelo

Olhos d'Água não é uma povoação muito antiga, mas, como teve suas origens no centenário Município de Corumbá de Goiás, conserva muito dos antigos costumes goianos, herdados dos primeiros habitantes vindos de São Paulo e depois caldeados com índios e ex-escravos. São tradições bastante marcadas por um folclore forte, arraigado, que passa de geração em geração naturalmente. Dentre os tipos humanos típicos, dos mais antigos habitantes, que vivem essas tradições com a alma, está um octogenário filho de regiões rurais adjacentes: Claudiano Alves Rabelo. E AlexâniaTV, no afã de buscar as origens étnicas e culturais do Município de Alexânia, foi à residência de Claudiano para ouvir dele um depoimento que se revelou importante porque ele, com toda sua simplicidade e boa vontade, falou o essencial.

Claudiano Alves Rabelo nasceu em 12 de março de 1922, na fazenda Sabaru, Município de Luziânia. Seus pais: Joaquim Alves Rabelo, goiano; e Francisca Coelho Figueiró, mineira. É casado com Rosa Gomes de Jesus. Seus filhos são numerosos e todos vivos, com exceção da primeira: Oracy, Zélia, Lourdes, Suely, Zaíra e Valmira e Jair, os quais lhe deram 12 netos e cinco bisnetos, “por enquanto”, no dizer dele.

Embora não saiba precisar datas vividas, se lembra bem de que chegou em Olhos d’Água há 34 anos, “por conta de escola, porque estava num lugar que não tinha esse benefício e os meninos estavam no ponto de estudo, e aqui já existia uma escolinha; por isso eu vim, comprei isso aqui para dar o estudo para as crianças. Era uma escolinha fraca, vim para ficar dois anos, aí o Aurelino ganhou para prefeito, trouxe o ginásio, e daí, dos dois anos pretendidos está com 34 anos que moro aqui. Vim para cá mesmo para dar estudo para meus filhos e acabei gostando do povoado, acho que aqui é ao mesmo tempo fraco e forte; fraco porque é pequeno, em quase tudo a gente depende de Alexânia, mas é forte porque temos sossego, paz, solidariedade e amizade”.

Embora tenha chegado bem mais tarde, Claudiano sabe contar a história do aparecimento de Olhos d'Água, porque vivia numa fazenda próxima do local e porque ouviu outras pessoas narrarem os acontecimentos. Ele contou que antes de surgir o povoado, o lugar era chamado Vargem de São Domingos – uma fazenda – e um grande fazendeiro e benfeitor da região, Geminiano Queiroz, fez uma doação de seis alqueires terra para a Igreja, para ser construída uma capela em honra a Santo Antônio. A partir de então, o pároco de Corumbá de Goiás, Pe. Luiz, celebrava missa dominical no local onde está edificado o templo católico de Olhos d'Água, que era um agradável arvoredo. Até que dois habitantes da região, Domingos e Chiquinho tomaram a iniciativa de construir a igreja, e a partir da igreja construída a povoação cresceu e hoje, em vista do que Claudiano conheceu, “virou uma verdadeira cidade”, como ele afirmou.

O loteamento foi feito pelo Pe. Luiz, que contratou um agrimensor, mediu, demarcou, dividiu, loteou e vendeu os lotes. As primeiras construções foram a igreja e a casa de residência de Claudiano, a mais antiga e original de Olhos d'Água, que ele adquiriu do pioneiro Inácio de Souza. Depois de edificadas a capela e a primeira residência, teve início um processo de povoação, lento, gradual e seguro, com gente chegando de toda parte, até que desapareceu o nome Vargem.

O nome de Olhos d'Água foi posto na localidade em virtude da peculiar mina de água localizada na zona urbana, no meio de uma avenida, antigamente com muita água, uma verdadeira torrente, alegria da meninada e de grande utilidade para as lavadeiras de roupa. Mas, segundo Claudiano, “depois que fizeram os poços artesianos, a água diminuiu e agora, na seca de 2007, pela primeira vez a água secou totalmente”.

As festas
Vários festejos compõem o mapa das tradições de Olhos d'Água, todos conhecidos e apreciados pelo depoente Claudiano. Segundo ele, a festa mais importante é a de Santo Antônio¸ “muito boa, mas temos também a festa do Troca, aliás, são quatro festas, a de Santo Antônio em julho, a festa de São Sebastião e os Troca, um no primeiro domingo de junho e outro no primeiro domingo de dezembro”. Outra manifestação folclórica importante são os tradicionais e imperdíveis pousos de Folia, constituídas pelas folias do Divino Pai Eterno, de Santo Antônio e dos Santos Reis. Claudiano narrou que “quase todo ano eu dou pouso aqui em casa. A Folia é religiosa, vem a bandeira, o pessoal com as músicas, pousa, brinca a noite inteira dançando o catira, o pousento dá a janta para o pessoal, dá o café à meia-noite, dá o almoço no outro dia. São de dez a 15 dias de giro”.

O catira é um costume importado de São Paulo e Minas Gerais e enraizado nas tradições goianas, onde está presente em todas as regiões, mas na tradicional Olhos d'Água a dança tem um sabor especial, que é a adesão de praticamente todos os habitantes, inclusive da juventude. “Temos uns violeiros bons, que batem a caixa aí até o dia amanhecer, ficam todos tomando umas pinguinhas, ficam com a barriguinha cheia e dançando e o que mais tem é umas meninas para dançar”.

Heroísmo
Não renegando seu bravo e forte sangue guerreiro herdado dos bandeirantes paulistas, Claudiano cometeu um verdadeiro ato de bravura e heroísmo ainda na juventude, ao defender a honra de sua irmã, ainda que com sangue, não lhe sendo oferecida alternativa menos traumatizante e quase fatal. Ele contou para AlexâniaTV:

- Tinha um sujeito lá na região por nome Manoel, o qual não tinha morada, vivia andando, tinha o seu dinheiro, comprando gado e vendendo, e não respeitava família de ninguém, chegava e atacava a casa dos outros e o que ele queria fazer ele fazia. E lá na fazenda, meu pai estava viajando e eu tinha um irmã chamada Isabel, aí um dia chegou um peão dizendo que o seu Manoel ia lá buscar a Isabel, que era minha irmã mocinha. Aí um dia nós estávamos moendo cana, quando o dito cujo apareceu no caminho montado numa mulona, chegou, parou e falou:

- Boa tarde. Eu respondi: Desamunta, seu Manoel. Ele apeou da mula, aproximou-se, ofereci para ele açúcar de engenho, garapa, mas ele não quis. Era pelo meio-dia, nisso a Isabel veio trazer um café para dar para os peões, a tal merenda, e quando ela despontou lá no caminho da casa, ele falou:

- Ah, ela adivinhou, ela evém.

- Aí quando ela chegou, a peonada, que já sabia, foi escapulindo de um por um, ficou eu, um tal de Mané Italiano e a Isabel com a bandeja de comida que trouxe. Aí ela me perguntou:

- Cadê os peão? Eu falei que eles tinham saído. Nesse momento o tal Manoel foi direto no assunto:

- Não, é comigo, eu vim te buscá.

- Aí, preocupado, eu falei: seu Manoel, não faça isso não, a menina não quer ir. Aí Isabel repetiu:

- Eu não vou não. Mas ele pulou no braço dela falando “sobe na garupa da mula, já tá arrumada, eu levo ela, amanhã ou depois eu trago”. Ele pegou ela pelo braço e foi puxando e ela gritando:

- Me acode, me acode, Claudiano. Então eu falei para o Manoel Italiano: vocês vão mexendo aí que eu vou ali dentro de casa buscar um sebo para botar na taxa – lá a gente usava botar sebo no melado – mas não foi isso, dei essa conversa mas fui lá, peguei um revólver que eu tinha, guardei no bolso e voltei, a menina chorando e ele segurando o braço dela. Por fim eu disse: seu Mané solta a menina, que ela não quer ir, mas ele insistiu”:

- Qual é o que, você não manda não, quem manda sou eu. Eu repeti dizendo a ele que não fizesse aquilo, mas ele continuava tentando arrastar a menina, ela tornou a me gritar, aí eu arranquei do revólver e atirei no braço dele, que estava segurando o revólver apontado em mim. Ele puxou o dedo, a bala pegou aqui na barriga e saiu lá atrás, mas Deus ajudou que eu dei uma volta e atirei de novo, saiu outro tiro que pegou dentro do ouvido dele. Foi pá, ele caiu e morreu na hora. Os peões ouvindo aquele tiroteio voltaram, a menina escapuliu da mão dele correu para dentro de casa.

Nessa alturas surgiu o dilema: o que fazer com o corpo? Claudiano baleado com uma apavorante hemorragia, mas um amigo da família, chamado Tonico Pedra, tomou rápida iniciativa, amarrando o cadáver no lombo da própria mula e soltando no caminho. O animal pegou o trecho com a fúnebre carga e, ao descer uma serra existente nas proximidades, passavam umas pessoas que viram a cena, desamarraram o corpo e o atiraram na ribanceira, num buraco inacessível.

O depoente, entretanto, ficou baleado e sangrando muito. Foi quando retornou seu pai, que, vendo o filho mal, morrendo, mandou chamar “tio Totó”, como afirmou Claudiano. “Ele veio e falou que talvez eu não escapasse, mas se descobrissem e pegassem um urubu ele tirava o veneno da bala. Tinha morrido um cavalo perto, os peões correram lá e com muito jeito pegaram um urubu, chegando botaram no pilão, socaram aquilo bem socado com a mão de pilão, do jeito que chegou, com pena e tudo, estava até meio vivo, depois botou aquela massa num pano, torceu, tirou uma caneca de caldo e eu tomei. Sabia que ia morrer mesmo, tomei. Quando acabei de tomar, brotou um arroto de dentro de mim e eu comecei a vomitar. O sangue que tinha eu vomitei tudo, aquelas lingüiças de sangue preto, aí mandou na serra buscar água da lixeira e eu tomei e já vomitei a água branca. Aí eu aterrizei e durante 24 horas não vi nada, fiquei na cama morrendo. Só então comecei a acordar, fui virando, melhorando, tomando um remédio ou outro, tratado em casa. Mas sarei. Tinha 22 anos de idade e a menina tinha 19 anos”.

Finalizou Claudiano: “Depois de recuperado, meu pai me levou com todas as testemunhas na Delegacia de Polícia de Luziânia, onde era delegado um senhor Urias. Aí meu pai chegou lá e disse que ‘meu filho é criminoso, fez uma morte por tais e tais razões’. As testemunhas confirmaram. O delegado consultou uns papéis e disse:

- O que eu ia mandar fazer, o seu filho fez. Tem nove denúncias contra esse homem aqui, eu ia mandar tirar a vida dele, mas o seu filho fez o serviço sem querer, portanto ele não deve nada.

Esse é Claudiano Alves Rabelo. Um ancião pacífico, que vive com sua esposa, rodeados pelo carinho de filhos, netos e bisnetos.

Sair de Olhos d'Água?

- Nunca! Sentencia ele com a mesma firmeza com que enfrentou o marginal que pretendeu um dia maltratar sua irmã.

causos de olhos d'agua

Resposta da amiga Diana da Taperinha(deliciosos Shitakes)a um e-mail que mandei, fazendo pedidos de arquivos,fotos e causos de Olho D'água.
Obrigada Diana pelo carinho.

Oi querida! Vc sempre com ótimas idéias! Por aqui a cada dia aparecem mais pessoas (só falta você!)e mais acontecimentos, como por aí não é mesmo? Você sabe como o Tom chegou à nossa fazenda? Pois vou lhe contar um causo... Olhos D'Água tem as características preciosas e precisas para quem gosta de curtir a natureza, relaxar e descansar da cidade grande, certo? Pois foi nesse clima que o Tom, no ano de 1983 comprou uma casinha perto da praça -a que agora pertence ao Ademir- e no ano de 1986 ele reformou, fez o mezanino, o primeiro de Olhos! e instalou a luz elétrica. Eu, sua amiga na época, por coisas do destino cheguei para um final-de-semana bem no momento que acendiam as luzes pela primeira vez, em clima de festa! Era uma casinha muito agradável e acolhedora, e por algum tempo recebeu muuuita gente em busca desse recanto, eu mesma era assídua! Até que em 87 comprei minha "chacrinha", que agora é da Fabiane/Bic e da Paula. Bom, pois na mesma época, 86/87, seu Claudiano - ô saudade! - resolveu abrir um forró pra animar as noites da cidade. O endereço escolhido foi a casa que agora é de seu filho Isaías. Até aí, tudo bem, foi um benefício para as pessoas do lugar, "carentes" de entretenimento. Mas pra quem vinha de Brasília pra descansar no final-se-semana.... bem, o fato é que o forró foi crescendo e o barulho também, sextas e sábados quem tinha casa perto não dormia até altas da madrugada! No verão de 88 tinha ficado insuportável para os adeptos do silêncio e da calmaria tão peculiares à cidade. Foi então que Tom conversando com seu Claudiano -ele mesmo!- falou sobre sua vontade de mudar de casa, comprar uma outra mais afastada, mais adequada aos seus planos de descanso. Seu Claudiano começou a procurar e logo foi conversar com Tom sobre um lugar muito bonito, uma fazendinha, ao que Tom respondeu que era muito grande que não era pra ele não. Mas devido a insistência, cedeu e foi ver o tal lugar. Seu Zé Gomes, proprietário, foi então mostrar o lugar de "cerca a cerca", quanto mais andavam, mais Tom se convencia que era muito grande, até que por último, Zé Gomes levou Tom ao córrego daqui, o Taperinha. Tom começou então a se animar, água corrente em casa, bom. Quando chegaram ao "poço", a piscina natural que se forma no Taperinha, foi que Tom resolveu internamente que aquele poderia sim ser seu lugar. A negociação demorou alguns meses, Tom sem a inten$ão de tanto e seu Zé Gomes querendo sair da roça, se mudar para a cidade. Até que se acertaram, a casinha da praça e o restante em dinheiro. E seu Zé Gomes se mudou pra lá e Tom adquiriu um pedaço da Taperinha a que deu o nome de Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, em maio de 88. Eu cheguei por aqui no início de 94, e, em 97 consegui comprar uma parte do outro lado do córrego Taperinha, da irmã do seu Ziquinho, que tinha uma roça por lá. Assim, nosso local de banho ficou protegido dos dois lados, bem como a mata ciliar e o cerrado que hoje, quase 21 anos depois, está crescido, recuperado e cheio de bichos e natureza para encantar a todos que passam por aqui! Gostou? Assim começaram as histórias por aqui... Depois conto outra, combinado? Beijos, Diana.

FESTA DO DIVINO

FESTA DO DIVINO



A festividade do Divino Espírito Santo é oriunda dos Estados Alemães onde, inicialmente, foram praticadas durante a dinastia dos Othons e destinava-se a lançar fundamentos de uma instituição, que, na forma de um banco, formado de esmolas, acudisse os pobres nos anos de penúria. E como os invocantes eram reis os festejos conservaram os aspectos de realeza.

Da divindade que invocavam, do invocante que tomara a iniciativa, nasceram os festejos religiosos que a confraria imperial votava ao culto do Espírito Santo, costume este, que se propagou por toda a Europa.

Na França, a festa foi facilmente difundida. A folia do Divino, assimilada rapidamente, foi chamada “Folias do Bispo Inocente”, solenizada anualmente em São Martinho , de Tours. Daí à Península Ibérica, Portugal e suas colônias foi questão de tempo.

Em Portugal, nos começos do século XIII, a devoção ao Divino Espírito Santo é instituída sob a forma de festa pela Rainha Dona Isabel de Aragão, esposa do Rei Dom Diniz. Ela foi, em vida, grande protetora dos humildes e da religião católica apostólica romana. Para se ter uma idéia, em 1320, não se encontrava, em terras de Portugal, mais que uma capela e quatro hospitais debaixo da invocação do Divino Espírito Santo.






Em Portugal continental a devoção se alastrou e alcançou seu ponto culminante na era das Grandes Descobertas, ou seja, no século XV. De Portugal continental para as suas Colônias e Possessões dependeu, unicamente, do movimento colonizador.



A introdução da festa do Divino Espírito Santo, no nosso Brasil é tão velha quanto a colonização lusa. Foi introduzida na Bahia em 1765 pelos ilhéus portugueses, na Matriz de Santo Antônio do Além do Carmo. Havia grandes folias, repastos em público e soltavam-se os presos.

Entretanto, no Rio de Janeiro, alcançaram o seu ponto clímax em meados do século XIX.